Sempre pensei em máscaras como
objectos transitórios. Agora, durante uns momentos, escondo o meu rosto porque
quero fingir que sou outro. Temporárias e ocasionais, disfarçam e dissimulam.
Ou simulam.
A transitoriedade já não é o que
era. Agora as máscaras servem para transitarmos entre nós. São separadores de
pessoas e bloqueadores de expressões.
Agora, durante uns tempos,
protejo-me daquilo que anda aqui no ar entre tu e eu.
Os olhos afinal não são o espelho
da alma porque não mostram tudo. Há olhos que sorriem e olhos que se espantam.
Mas nunca saberemos em que estado estão as almas se não virmos o seu reflexo a
corpo inteiro. Como os lábios se movem, como o nariz se franze, como as
bochechas oscilam e como o queixo sobe.
Como poderemos agora deitar a língua de fora a
alguém? Sorrir com os dentes todos ou ficar boquiaberto não vale nada nos dias
que correm.
É certo que franzir o sobrolho
será sempre tido em conta, mas, como distinguiremos as lágrimas de crocodilo
das genuínas?
Como em tudo, há vantagens. As
emoções estão previamente escondidas e não temos que andar por aí a oferecer
sorrisos amarelos. Podemos sempre fingir que não reconhecemos alguém, evitando
conversas indesejadas, e estamos sempre preparados para fazer um assalto.
Quem vê máscaras não vê corações.
Passaremos os próximos tempos a falar com estranhos.

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