domingo, 24 de maio de 2020

A primeira semana.



É uma bica curta, se faz o favor. Na chávena da porcelana mais grossa que tiver aí a aquecer por cima da máquina. Desculpe, pode bater com o pires no balcão para ouvirmos que é de loiça e depois, se não for pedir demais, atire-lhe com a colher para se escutar o som metal a bater no vidrado? Muito agradecida.

Quero meia dose de filetes com arroz de tomate. Para comer aqui. Ali, melhor dizendo, corajosamente na esplanada. Sim, sou só eu. Eu e comida que não foi feita por mim ou que não vem suada e mole numa caixa de plástico. Para beber? Champanhe, por favor. Impõe-se um brinde.

Uma cotovelada. Uma imperial. Uma distância social suficiente para desvendar o rosto a rostos amigos. O líquido gelado a descer pela garganta com a sensação de libertação que o tempo quente traz. Tal como o Verão sabemos que este desconfinamento é efémero. Vamos desconfiando e desconfinando.

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